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Turtles All the Way Down - Devia ficar-se pelo OCD

Poster Turtles All the Way Down

Inspirado pelo livro homónimo, de John Green, Turtles All the Way Down (ou em português Tartarugas Até Lá em Baixo) explora a perturbação obsessivo-compulsiva (POC ou OCD) de Aza, ao mesmo tempo que tem de desvendar o desaparecimento de um milionário.


Em todo o lado a sinopse passa muito pela POC e pelo mistério do desaparecimento, mas vamos já limpar isso e perceber que apenas um dos temas é recorrente e, para ser sincero, o único de interesse.


Esta crítica é apenas sobre o filme e, como tal, prende-se apenas ao argumento adaptado de Elizabeth Berger e Isaac Aptaker, e à realização de Hannah Marks, sendo que nem sequer sei o que foi deixado de fora em relação à obra literária.


Desapareceu a personagem e o meu interesse


Isabela Merced em Turtles All the Way Down

Fui apenas ver o filme por estar no catálogo da HBO Max e por referir a POC, ou OCD, da protagonista, parecendo-me assim um tema interessante a explorar. No entanto, deparei-me ainda com um outro tema que me deu sempre a ideia de estar a mais: o desaparecimento.


Só a perturbação obsessivo-compulsiva e os desafios da vida bastavam para tornar o filme interessante. É o primeiro tema a ser logo apresentado, juntamente com a morte do pai de Aza (interpretada por Isabela Merced), mas rapidamente somos apresentados com um outro subtema: o desaparecimento de um milionário, que por acaso é o pai de Davis (Felix Mallard), futuro namorado da protagonista.


A questão é que o desaparecimento aparece quase do nada, apenas com um propósito, e acaba por desaparecer do interesse ainda mais rápido, não tendo qualquer importância para a história geral. Tentam até retomar o assunto a meio, com o irmão do Davis a dar uma informação sobre o assunto mas é novamente esquecido. Apenas serviu para estender um pouco mais o filme e para mostrar uma falta de rumo.


POC servia para conduzir Turtles All the Way Down


Aza e Davis em Turtles All the Way Down

Para quê colocar um subtema se existe um ponto central e de maior interesse? A POC é uma doença mental de difícil entendimento na maior parte das vezes, no entanto, Turtles All the Way Down acaba por conseguir retratá-la com o cuidado exigido, tentando explicar como pode complicar a vida das pessoas e como é que estas lidam com a situação.


Existe até um momento acompanhado pelo ritmo da Bad Guy, de Billie Eilish, em que vemos as várias bactérias a serem formadas e a transmitirem assim uma forma gráfica da ansiedade e pânico.


Até mesmo o romance, que não deixa de ser o típico romance cliché dos filmes adolescentes, é inserido para demonstrar o desafio da protagonista a ter de lidar com a doença e as relações com os outros, envolvendo fisicalidade e contacto.


Gostei também do facto de não quererem uma protagonista perfeita e coitadinha, não havendo medo de mostrar que também tem defeitos e que é uma pessoa como todas as outras, principalmente no confronto com a Daisy (interpretada por Cree Cicchino).


Agradável surpresa com temas desnecessários


Aza e Daisy

Esperava ver apenas mais um filme de adolescentes repleto de clichés, mas acabei até por apreciar alguns momentos, todos eles ligados à POC da protagonista e nas complicações relacionadas com ela. O ponto negativo acabou mesmo por ser a inclusão do desaparecimento como algo importante e que acaba por ocupar talvez uns dez minutos, se tanto.


Deixo ainda a crítica negativa ao final (cuidado: spoilers) onde escolheram utilizar imagens do futuro da Aza para representar todo o discurso de Daisy, quando não era necessário, bastando apenas o diálogo e talvez assim estivesse mais perto do impacto pretendido.


⭐⭐

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