Turtles All the Way Down - Devia ficar-se pelo OCD
- João Maravilha
- 3 de jun. de 2024
- 3 min de leitura

Inspirado pelo livro homónimo, de John Green, Turtles All the Way Down (ou em português Tartarugas Até Lá em Baixo) explora a perturbação obsessivo-compulsiva (POC ou OCD) de Aza, ao mesmo tempo que tem de desvendar o desaparecimento de um milionário.
Em todo o lado a sinopse passa muito pela POC e pelo mistério do desaparecimento, mas vamos já limpar isso e perceber que apenas um dos temas é recorrente e, para ser sincero, o único de interesse.
Esta crítica é apenas sobre o filme e, como tal, prende-se apenas ao argumento adaptado de Elizabeth Berger e Isaac Aptaker, e à realização de Hannah Marks, sendo que nem sequer sei o que foi deixado de fora em relação à obra literária.
Desapareceu a personagem e o meu interesse

Fui apenas ver o filme por estar no catálogo da HBO Max e por referir a POC, ou OCD, da protagonista, parecendo-me assim um tema interessante a explorar. No entanto, deparei-me ainda com um outro tema que me deu sempre a ideia de estar a mais: o desaparecimento.
Só a perturbação obsessivo-compulsiva e os desafios da vida bastavam para tornar o filme interessante. É o primeiro tema a ser logo apresentado, juntamente com a morte do pai de Aza (interpretada por Isabela Merced), mas rapidamente somos apresentados com um outro subtema: o desaparecimento de um milionário, que por acaso é o pai de Davis (Felix Mallard), futuro namorado da protagonista.
A questão é que o desaparecimento aparece quase do nada, apenas com um propósito, e acaba por desaparecer do interesse ainda mais rápido, não tendo qualquer importância para a história geral. Tentam até retomar o assunto a meio, com o irmão do Davis a dar uma informação sobre o assunto mas é novamente esquecido. Apenas serviu para estender um pouco mais o filme e para mostrar uma falta de rumo.
POC servia para conduzir Turtles All the Way Down

Para quê colocar um subtema se existe um ponto central e de maior interesse? A POC é uma doença mental de difícil entendimento na maior parte das vezes, no entanto, Turtles All the Way Down acaba por conseguir retratá-la com o cuidado exigido, tentando explicar como pode complicar a vida das pessoas e como é que estas lidam com a situação.
Existe até um momento acompanhado pelo ritmo da Bad Guy, de Billie Eilish, em que vemos as várias bactérias a serem formadas e a transmitirem assim uma forma gráfica da ansiedade e pânico.
Até mesmo o romance, que não deixa de ser o típico romance cliché dos filmes adolescentes, é inserido para demonstrar o desafio da protagonista a ter de lidar com a doença e as relações com os outros, envolvendo fisicalidade e contacto.
Gostei também do facto de não quererem uma protagonista perfeita e coitadinha, não havendo medo de mostrar que também tem defeitos e que é uma pessoa como todas as outras, principalmente no confronto com a Daisy (interpretada por Cree Cicchino).
Agradável surpresa com temas desnecessários

Esperava ver apenas mais um filme de adolescentes repleto de clichés, mas acabei até por apreciar alguns momentos, todos eles ligados à POC da protagonista e nas complicações relacionadas com ela. O ponto negativo acabou mesmo por ser a inclusão do desaparecimento como algo importante e que acaba por ocupar talvez uns dez minutos, se tanto.
Deixo ainda a crítica negativa ao final (cuidado: spoilers) onde escolheram utilizar imagens do futuro da Aza para representar todo o discurso de Daisy, quando não era necessário, bastando apenas o diálogo e talvez assim estivesse mais perto do impacto pretendido.
⭐⭐






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