Wild Robot (2024) - Animação é beleza
- João Maravilha
- 9 de fev.
- 3 min de leitura

Quantas vezes será necessário escrever que toda aquela conversa da animação ser para crianças é uma treta? Wild Robot apresenta-se como mais um exemplo para contrariar essa tese. É a representação de que um simples filme é capaz de entregar uma mensagem tão bonita e nos fazer entrar no seu argumento devido à semelhança com a vida real, a grande função das fábulas.
Um robot que tem como missão servir os humanos, acaba por se despenhar numa ilha onde existe uma panóplia de seres vivos, mas o ser humano não é um deles. A missão do robot acaba por se tornar a criação de um pequeno pato órfão, tornando-se assim a sua mãe e tendo de o criar ao longo das suas diferentes fases de vida.
Um argumento simples, certo? Sim, mas recheado de sentimentos que fazem até o coração mais frio, derreter um pouco com tamanha beleza. Não necessita de grande complexidade, fazendo com que nos sintamos rapidamente relacionados com as personagens e interliguemos toda a trama a diferentes momentos da vida real. Este é já um método muito conhecido nos filmes de animação (com especial utilização nos da Pixar) e sempre com grandes resultados, pois quase tudo aquilo com o qual nos relacionamos, é mais fácil gostarmos.

É incrível como a relação de um robot, um pato e uma raposa pode ser tão acolhedora. A robot, com os seus erros de aprendizagem, com a nova missão de ser mãe, ao ter medo de errar e querer proteger o seu filho a todos o custo, mesmo que isso até lhe possa não ser benéfico. A raposa, a aprender a amar e confiar nos outros, esquecendo os traumas do passado e aprendendo a ser uma nova "pessoa". E claro, o pato, com todo o seu crescimento e querendo mostrar a todos que é capaz de algo mais, sabendo o que vale.
É utilizada a base dos três atos de forma bem clara, sendo fácil a sua identificação, havendo a apresentação das personagens, depois parece tudo estável até se dar a separação e termina com o clímax onde são feitas as pazes. Isto é o habitual e lá por ser comum não o torna mau, pois Wild Robot é um exemplo quase perfeito de que na simplicidade pode haver grandes qualidades, basta saber olhar para a criação com seriedade e disponível para se diferenciar em pequenos detalhes.
É praticamente impossível ficar com a vista seca, pois as lágrimas conseguem ser recorrentes visitas durante a visualização do filme, e o grande "problema" está em não reservarem esses momentos apenas para o final, mostrando que a vida terá sempre momentos belos ou complicados.

Quanto à animação, a DreamWorks continua a surpreender e a querer demarcar-se dos outros estilos. É uma animação que dá ares de menos detalhes, mas que traz consigo uma beleza diferenciadora de tudo aquilo que se tem visto ultimamente. Não é que não goste da animação recente da Disney, Pixar ou outros estúdios que querem trazer um pouco mais de traços realistas. Simplesmente, também quero animações diferentes e que não se perca aquele desejo de imaginação.
Algumas sequências lembram-nos as cut scenes dos videojogos (também um recurso cada vez mais utilizado), com alterações da perspetiva, movimentos mais alternados e uma velocidade diferente na câmara. A DreamWorks aproveitou também outros modelos de personagens já utilizadas pelo estúdio (ex. da raposa com os traços do lobo de Mauzões, ou o urso com o modelo do Gato das Botas).
Impossível não terminar com uma menção honrosa à participação de Fernando Luís na versão portuguesa, fazendo uma geração relembrar tempos de ouro, em que a sua voz era uma presença habitual.




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