Scream: Uma lição sobre Terror
- João Maravilha
- 11 de fev. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 7 de mai. de 2024

Wes Craven e Kevin Williamson criaram em conjunto uma ideia de argumento que iria contribuir para o renascimento da cultura de filmes Slasher e a partir daí surgiram até hoje seis filmes que ensinam o público, e criticam abertamente os clichés deste género de filmes.
O terror é um género muito específico do cinema, sendo por isso mesmo bastantes vezes afastado injustamente das grandes premiações e palcos, não chegando até a ser bem acolhido por todos os espectadores. No entanto, é impossível olhar e não perceber a razão do seu sucesso. O medo, a ansiedade e o desconhecimento que é criado é digno de exaltação, mesmo quando não unânime entre todos, mas que filme o é?
Em 1996, o Scream vem expor alguns dos defeitos e atrair novos fãs ao género, sem nunca se tornar numa sátira, respeitando e conseguindo atrair uma legião de fãs.
Wes Craven e o retorno ao sucesso do cinema de terror

Wes Craven estava longe de ser um desconhecido do cinema, muito devido ao sucesso do A Nightmare on Elm Street, e também devido a essa sua experiência era a pessoa indicada para revitalizar o gênero Slasher que se vinha a perder em Hollywood e que tantas pessoas tinha levado aos cinemas na década anterior.
Scream não precisa de se considerar um filme altamente complicado para ser levado a sério, bastou-lhe colocar um diálogo expositivo e os papéis todos nos locais certos. Para tal agarrou numa protagonista, num grupo de amigos e uma história de assassinatos, simples não é? Bem, é muito mais que isso nos bastidores e é esse o conceito da saga.

Apesar de ser Sidney Prescott (Neve Campbell) a protagonista, todos os créditos da aula de terror terão de ser entregues ao Randy (Jamie Kennedy) que em duas cenas consegue resumir o gênero a todos os espectadores.
A rapariga virgem, o isolamento, as frases ,o modus operandi, as possibilidades do assassino, são apenas alguns dos clichês expostos, e se pensamos que isso irá retirar todo e qualquer interesse ao filme, não podemos estar mais enganados. Scream é, com todo o intuito, uma homenagem e uma aula sobre o Terror, levando-se sempre a si e ao espetador a sério.
A perda de qualidade com o aumento dos filmes

Como todas as sagas, nunca haverão só filmes perfeitos e acabam por cometer erros que se tornam demasiado visíveis. A saga Scream acabou por pecar em demasia em alguns dos clichés, criando a repetição das mortes iniciais, os mesmos erros de personagens e foi até mesmo perdendo a espetacularidade dos ensinamentos. Se o quarto filme da saga peca pela sequência inicial e as suas cores altamente esbatidas e contrastadas, o terceiro consegue o prémio de pior da saga ao não ser capaz de inovar (com exceção do assassino) e ainda não trazer nada de novo, nem mesmo encerrando a trilogia.
O renascer do sucesso com novos protagonistas

Em 2011 a saga parecia ter o seu fim, no entanto, em 2022 e 2023, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett acabam por surpreender ao trazerem dois novos filmes com novos protagonistas.
Scream V e VI vieram novamente reviver a saga e ensinar novas dinâmicas. Em ambas as partes voltam as grandes aulas de Terror, com a quinta sequela a explicar a diferença entre os slashers e o terror elevado e complexo, com as questões de sangue susto e até do terror mais simplificado. E não se ficam apenas pelo género do terror, pois toda a explicação de sequel, trilogy, requel e franchise é completamente ajustada a qualquer filme.
É claro que muitos dos fãs de terror não apreciam a saga Scream - chegando muitos a considerar fora do terror - mas a verdade é que essa é a prova de que o terror não é, nem nunca será unânime, e isso é apenas positivo.

Scream não necessita de criaturas sobre-humanas, cenas altamente gore ou até mesmo sustos recorrentes para conseguir criar a ansiedade e nervosismo de um filme de terror. Não há melhor prova disso que o Scream VI, onde consegue “brincar” com a movimentação da câmara e com os ângulos para criar um efeito de suspense e inquietação no espetador. E se na sequência do metro utiliza a intermitência da iluminação para criar ansiedade, na sequência do assassinato em casa é tudo feito em plena luz do dia, não sendo necessário esconder nada.
Os slashers não passaram de moda e Scream é a prova disso, sendo capaz de ensinar, criticar e homenagear de forma gloriosa todos aqueles filmes que se tornaram clássicos do terror e levaram a que muitos espectadores se tornassem fãs. Não haverá melhor filme para introduzir a um iniciante de terror, pois após um filme ficam logo com mais conhecimento sobre filmes de terror do que muitos que se consideram fãs do género, apenas porque se querem assustar e se o filme não tiver 50 jump scares por hora não prestam.
Se o Scream é uma homenagem aos slashers, então esta é a minha forma de retribuir, como forma de agradecimento, a introdução e educação para filmes de terror!






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