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Longlegs - Deram um passo maior que a perna

Poster Longlegs

Os filmes de terror, principalmente os mais recentes, nunca conseguem ser unânimes na crítica, tanto profissional, como amadora, e Longlegs (ou Colecionador de Almas na versão portuguesa) junta-se a esse vasto leque.


Após o aparecimento de um novo serial killer, a agente do FBI, Lee Harker, encontra pistas macabras e ocultas que poderão levar a uma descoberta maior do que os homicídios.


Longlegs apareceu com um hype positivo, muito devido à participação do ator Nicolas Cage (que é também produtor do filme), e diga-se já que esteve excelente no papel que desempenhou, mas já lá vamos. O filme foi apresentado como um novo thriller policial, mas com uma vertente de maior terror, cativando desde logo a atenção do público dos dois géneros, mas sem se perceber muito o que esperar.


Se essa apresentação acabou por “enganar” alguns espectadores, outros, como eu, acabaram por gostar ainda mais. Longlegs divide-se em três partes (o anunciar de forma escrita essa divisão é algo que tem vindo a ser comum no cinema mais recente) que variam muito o seu estilo e acabam por separar um pouco o seu público e também a sua história.


Divisão de partes e de géneros


Pistas em Longlegs, semelhante a Zodiac ou Seven

Logo nos primeiros minutos somos introduzidos a um momento de maior susto, aliando por isso mesmo a um género de terror, que é auxiliado por uma resolução de ecrã mais comprimida mas que acaba por ser estendida após os créditos iniciais. 


No entanto, nessa primeira parte o filme acaba por largar essa vertente de terror e agarrar-se de forma quase total ao thriller policial, criando semelhanças com filmes como, O Silêncio dos Inocentes, Zodiac ou Seven (até mesmo nas pistas enviadas). Só não era totalmente um thriller porque havia sempre algo a entregar uma componente de ansiedade e medo semelhante ao terror, como os planos mais abertos ou a alteração entre o silêncio e os sons mais altos e incomodativos.


Já na segunda parte, existe uma total divisão de géneros, existindo cada vez mais momentos de terror e aproximando-se do objetivo de todo o argumento. É aqui que percebemos um pouco mais do aspeto mitológico e sombrio dos crimes, mas com a grande conclusão e detalhes a pertencerem à terceira parte. Acaba por ser um filme dividido em dois géneros que colhem muito um do outro, mas que termina numa vertente de total terror.


Longlegs apenas poderia pertencer a Nicolas Cage


Nicolas Cage em Longlegs

Um ator muitas vezes caricaturado no cinema, mas que dispensa qualquer apresentação e tem tido no terror um dos seus melhores palcos. Nicolas Cage entrega uma atuação de excelência, conseguindo apresentar tudo o que lhe é pedido, mesmo disfarçado por um grande trabalho de maquilhagem.


A acompanhar Cage em Longlegs, estão também Maika Monroe, como a personagem principal Lee Harker, e ainda Blair Underwood, como Carter.


Terror acompanhado por montagem de som


Planos abertos para criar uma maior ansiedade

Um filme de terror exige sempre uma montagem de som pensada ao detalhe, pois além da imagem, o susto e/ou ansiedade vem do som. Longlegs mistura silêncios constrangedores com sons e músicas pesadas e elevadas, criando um sentimento de instabilidade e medo do que poderá vir. 


O diretor Osgood Perkins, um quase estreante na direção, soube combinar de forma exemplar com a sua equipa de som e a música de Elvis Perkins.


Longlegs dividiu o seu público ao querer misturar diferentes géneros e não conseguindo assumir um só rumo, enveredando inicialmente por uma vertente mais policial e de investigação e terminando com um lado mais místico e sombrio.


⭐⭐⭐⭐


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