Longlegs - Deram um passo maior que a perna
- João Maravilha
- 16 de set. de 2024
- 3 min de leitura

Os filmes de terror, principalmente os mais recentes, nunca conseguem ser unânimes na crítica, tanto profissional, como amadora, e Longlegs (ou Colecionador de Almas na versão portuguesa) junta-se a esse vasto leque.
Após o aparecimento de um novo serial killer, a agente do FBI, Lee Harker, encontra pistas macabras e ocultas que poderão levar a uma descoberta maior do que os homicídios.
Longlegs apareceu com um hype positivo, muito devido à participação do ator Nicolas Cage (que é também produtor do filme), e diga-se já que esteve excelente no papel que desempenhou, mas já lá vamos. O filme foi apresentado como um novo thriller policial, mas com uma vertente de maior terror, cativando desde logo a atenção do público dos dois géneros, mas sem se perceber muito o que esperar.
Se essa apresentação acabou por “enganar” alguns espectadores, outros, como eu, acabaram por gostar ainda mais. Longlegs divide-se em três partes (o anunciar de forma escrita essa divisão é algo que tem vindo a ser comum no cinema mais recente) que variam muito o seu estilo e acabam por separar um pouco o seu público e também a sua história.
Divisão de partes e de géneros

Logo nos primeiros minutos somos introduzidos a um momento de maior susto, aliando por isso mesmo a um género de terror, que é auxiliado por uma resolução de ecrã mais comprimida mas que acaba por ser estendida após os créditos iniciais.
No entanto, nessa primeira parte o filme acaba por largar essa vertente de terror e agarrar-se de forma quase total ao thriller policial, criando semelhanças com filmes como, O Silêncio dos Inocentes, Zodiac ou Seven (até mesmo nas pistas enviadas). Só não era totalmente um thriller porque havia sempre algo a entregar uma componente de ansiedade e medo semelhante ao terror, como os planos mais abertos ou a alteração entre o silêncio e os sons mais altos e incomodativos.
Já na segunda parte, existe uma total divisão de géneros, existindo cada vez mais momentos de terror e aproximando-se do objetivo de todo o argumento. É aqui que percebemos um pouco mais do aspeto mitológico e sombrio dos crimes, mas com a grande conclusão e detalhes a pertencerem à terceira parte. Acaba por ser um filme dividido em dois géneros que colhem muito um do outro, mas que termina numa vertente de total terror.
Longlegs apenas poderia pertencer a Nicolas Cage

Um ator muitas vezes caricaturado no cinema, mas que dispensa qualquer apresentação e tem tido no terror um dos seus melhores palcos. Nicolas Cage entrega uma atuação de excelência, conseguindo apresentar tudo o que lhe é pedido, mesmo disfarçado por um grande trabalho de maquilhagem.
A acompanhar Cage em Longlegs, estão também Maika Monroe, como a personagem principal Lee Harker, e ainda Blair Underwood, como Carter.
Terror acompanhado por montagem de som

Um filme de terror exige sempre uma montagem de som pensada ao detalhe, pois além da imagem, o susto e/ou ansiedade vem do som. Longlegs mistura silêncios constrangedores com sons e músicas pesadas e elevadas, criando um sentimento de instabilidade e medo do que poderá vir.
O diretor Osgood Perkins, um quase estreante na direção, soube combinar de forma exemplar com a sua equipa de som e a música de Elvis Perkins.
Longlegs dividiu o seu público ao querer misturar diferentes géneros e não conseguindo assumir um só rumo, enveredando inicialmente por uma vertente mais policial e de investigação e terminando com um lado mais místico e sombrio.
⭐⭐⭐⭐






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