Gladiador II - Uma sequela não pedida
- João Maravilha
- 2 de dez. de 2024
- 2 min de leitura

Quando anunciaram que iria haver uma sequela do galardoado Gladiador, todas as minhas expetativas estavam negativas, pensando que iria ser apenas mais um filme a aproveitar o sucesso do seu antecessor, sem que houvesse qualquer necessidade.
Eis que Ridley Scott me conseguiu surpreender e, apesar de continuar a não ver necessidade numa sequela, acabei por apreciar bastante todos os minutos de filme. Muito dificilmente será tão relembrado, ou sequer premiado, como o primeiro, mas que conseguiu entregar tudo o que prometia, conseguiu.
Lucius vê-se forçado a regressar a Roma e logo pelas piores portas, as do Coliseu. Com o sentimento de revolta pelo que perdeu, o antigo príncipe de Roma tem de reescrever a história ao mesmo tempo que faz as pazes com o seu passado.

Gladiador também no sucesso
Ridley Scott nem sempre consegue entregar toda a grandeza que é prometida e lhe é esperada, algo que lhe é exigido devido a todo o sucesso que alcançou outrora. Gladiador foi uma dessas obras dando-lhe até a nomeação a melhor Diretor nos Oscars. No entanto, os seus mais recentes filmes acabam por ser sempre grandes investimentos que se tornam esquecidos passados alguns anos, e nem sempre com críticas positivas.
A ideia de Gladiador II poderia surgir como apenas mais um filme a aproveitar-se do sucesso do seu antecessor, mas a verdade é que esta sequela consegue sobreviver quase sozinha, fazendo as suas referências ao passado, mas entendendo-se também de forma isolada, embora não seja aconselhado ver sem conhecer o primeiro, ou a experiência vai estar longe de completa.

Um elenco difícil de não se aproveitar
O anuncio de Paul Mescal como Lucius foi o maior boost que o filme poderia ter, aliando assim um ator de grande sucesso atual, com uma sequela de uma obra premiada. Depois foi necessário continuar a construir todo o elenco, juntando cada vez mais atores de renome, como Pedro Pascal, Denzel Washington, Connie Nielsen e Joseph Quinn. Tanto talento junto teria de ser bem aproveitado e isso foi conseguido, não só devido a um bom argumento, mas também a um alto investimento em toda a construção de cenários, aproveitamento tecnológico, e grandes sequencias de ação.
No entanto, e colocando toda a questão histórica de lado, como Ridley Scott gosta de fazer por vezes, tenho a apontar a excessiva "cartoonização" dos dois imperadores. Senti que houve um pouco ou tanto de jocosidade a mais, tudo para que Macrinus fosse realmente visto como o verdadeiro vilão, sem que existisse necessidade, visto que o argumento por si só já era suficiente.

Quanto à banda sonora e mistura de som, pouco há a dizer. Uma experiência de alta qualidade, aproveitando-se da grande trilha deixada pela prequela e que tanta gente fez arrepiar e ainda hoje marca tantas memórias. Difícil era falhar, mas não vejo isso como negativo, bem pelo contrário, pois o aproveitamento deve ser sempre feito de forma inteligente, uma vez que existe um maior termo de comparação.
Gladiador II ficou longe da grande qualidade do seu antecessor, mas distancia-se dos grandes fracassos de sequelas que ninguém pediu. Consegue, mas não deve, sobreviver isolado, aproveitando grandes qualidades da prequela e manter as esperanças em Ridley Scott e no talento que tanto aparece como se esfumaça.
⭐⭐⭐⭐






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