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Divertida-Mente 2 - Todos temem a ansiedade

Poster Divertida-Mente 2

A Pixar já nos habituou a filmes de animação com grandes mensagens, criando assim filmes a pensar em todas as idades. Divertida-Mente (Inside Out na versão original) foi assim e nesta sequela a fasquia foi ainda aumentada.


Divertida-Mente 2 apresenta Riley a conhecer pela primeira vez a puberdade e as suas mudanças, trazendo novas emoções ao centro de controlo e alterando a forma como estas interagem.


São os adultos quem mais sofrem


Novas emoções em Divertida-Mente

Já é tempo de se esquecer a ideia bacoca de que os filmes de animação são para as crianças e que os adultos não retiram nada deles. Sim, alguns até podem ser pensados como um meio de cativar o público mais infantil, no entanto isso não é sinónimo de serem filmes em que os adultos não podem aprender nada.


O catálogo de longas-metragens da Pixar está repleto de exemplos exímios, e Divertida-Mente 2 é mais um, sendo que neste caso tem a capacidade de afetar ainda mais as gerações adultas do que propriamente as mais jovens.


É um filme que todas as crianças devem ver, mas que deve ser também uma visualização obrigatória para qualquer pessoa, de qualquer geração. O grande foco é a puberdade mas não se fica apenas por ai, pois toda a trama é também facilmente identificável com gerações adultas.


Detalhes primorosos a nível técnico


Riley na puberdade

Sempre houve algumas grandes diferenças entre as produções Disney e Pixar, como o fabulizar de diferentes aspetos e o uso diferenciado das técnicas de animação.


A Pixar tem um estilo muito característico, sendo que por vezes até gostaria de ver algo de diferente nesse sentido, mas o que quero referenciar e que me chamou à atenção ao ver o Divertida-Mente 2 foi o cuidado com o detalhe. Mais uma vez a equipa de animadores e a direção de Kelsey Mann elevou a fasquia e além dos detalhes com os cabelos, pelos ou rugosidades, deu também destaque a coisas tão naturais como o suor na cara da Riley.


Outro grande destaque habitual no estúdio e que voltou a cumprir é a trilha sonora. Capaz de passar despercebida mas merecedora de todos os elogios e capaz de acompanhar de forma perfeita cada momento. Aqui os aplausos terão de ir para Andrea Datzman.


Ansiedade em todos o lado e em todos os níveis


Ansiedade em Divertida-Mente 2

Aqui vou ter de fazer um aviso e pedir para que quem não tenha visto o filme o vá ver e regresse de seguida para a leitura, pois vou entrar em detalhes que poderão ser considerados spoilers e não quero que a experiência de ninguém fique prejudicada.


No primeiro Divertida-Mente não podemos considerar que existisse uma personagem vilã, no entanto nesta sequela é fácil apontar a Ansiedade e a forma como controla a Riley, apesar de não gostar de a ver assim.


Percebo quem queira assim considerar, no entanto, prefiro pensar na personagem como uma representação do caminho perdido que todos nós enfrentámos, ou enfrentamos, nessa fase da vida e no que depois se segue. É um planear de ações que não nos deixa dormir, um turbilhão de pensamentos que nos acelera e nos impede de sermos nós mesmos por vezes, e sempre de uma forma incontrolável e inesperada.


Alegria e Tristeza na Crença

Esta ansiedade leva-nos a um outro ponto que é essencial no filme e que considero o seu clímax: o ataque de ansiedade/pânico. É algo tão bem representado que cria uma ansiedade também em quem está a ver, sentindo tudo e ouvindo as coisas como na realidade são, algo possível devido ao esforço do estúdio em ser acompanhado por profissionais de saúde que ajudaram na explicação.


É bom ver cada vez mais este tipo de representações no cinema e em específico na animação, desmistificando os problemas ou situações de foro psicológico, mostrando que devem ser falados e que devemos quebrar as barreiras sobre procurar ajuda.


Quando o filme terminou, dei por mim a pensar que tinha acabado de passar por toda uma aventura e que tudo o que tinha acabado de ver era facilmente identificável com o que passei durante diferentes fases da minha ainda jovem vida. Acho que não há melhor elogio do que este, por me ter feito pensar e identificar com o que vi.


⭐⭐⭐⭐



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