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Challengers: Um jogo romântico de ténis

  • 20 de mai. de 2024
  • 4 min de leitura
Poster Challengers

Imaginemos ir ver Challengers com a ideia de ver um filme maioritariamente sobre ténis e acabar com um exacerbado sentimento de adrenalina e espetacularidade com tudo o que se viu.


Tashi, um prodígio do ténis na adolescência, acaba por se tornar treinadora do seu marido e fazer dele um campeão. Mas ao vê-lo enfrentar uma série de derrotas decide inscrevê-lo num torneio menor, onde terá de enfrentar o seu ex-melhor amigo e ex-namorado de Tashi.


Match point no casting


Art, Tashi e Patrick na cama

Vou começar já pelos elogios às atuações, onde Zendaya limpa tudo à sua volta e mostra o porquê de merecer um papel de relevância, que já lhe vinha a faltar há algum tempo. Em Challengers consegue demonstrar todo o seu talento e ter o merecido destaque. Carrega a atuação com tudo o que a personagem pedia: ambição, frustração e paixão.


No entanto, se Zendaya esteve excelente em todo o seu papel, também não podemos deixar de parte nos elogios Mike Faist e Josh O’Connor (que representam Art Donaldson e Patrick Zweig, respetivamente). Patrick como um tenista menos racional e mais orgulhoso, agarrado às superstições e sem pensar no futuro, levando-o até a um patamar inferior ao que almejava. 


Já Art, marido de Tashi, apesar de ser um ex-campeão, acaba por parecer nunca se agarrar ao ténis como algo tão sério quanto os outros dois amigos, servindo como quase um boneco de Tashi para conseguir o sucesso que esta não conseguiu.



Bola cá, Bola lá com a realização


Tashi e Patrick durante a tempestade

Luca Guadagnino foi uma das razões para que se criasse um hype em volta de Challengers. Cedo, ainda na publicidade do filme, se começou a formar uma ideia de romance e drama ao nível de Call Me By Your Name, e a verdade é que conseguimos ver algumas dessas parecenças entre os filmes. Toda a cumplicidade entre personagens, as complicações amorosas, e até mesmo a nível de fotografia, com planos estendidos e muitos deles preenchidos apenas pelos sons de fundo (a fotografia também ficou a cargo de Sayombhu Mukdeeprom).


É uma longa-metragem repleta de grandes qualidades cinematográficas, onde são os momentos de jogo que mais ganham. A forma como a mistura de som, onde ouvimos detalhadamente cada bola a bater no chão ou na raquete, ou as respirações dos jogadores, se mistura com a música (dos compositores Trent Reznor e Atticus Ross) torna toda a nossa experiência imersiva e até quase sufocante com toda a velocidade e desafio que o jogo acarreta.


Art e Patrick em Challengers

E claro que apenas o som, por muito bom que seja, não pode ficar sozinho nos elogios. Também a nível de imagem nenhum detalhe é deixado de fora, havendo sempre uma grande luminosidade a acompanhar (com exceção do momento da tempestade) e um movimento de câmara excecional, levando-nos a diferentes planos, indo desde o POV no jogador, com a bola a dirigir-se na nossa direção, até às bancadas com uma deslocação constante da cabeça a acompanhar a bola no court.


Tríade romântica para complicar


Poderia escrever que apesar de o ténis parecer ser o ponto central do filme, o verdadeiro e único ponto é a tríade romântica. No entanto, não acredito nisso. Sim, o drama romântico e toda a tensão sexual é um dos pontos fulcrais e é acompanhado ao longo das pouco mais de duas horas de filme, e ajuda a toda a qualidade que acaba por ser escrita, mas se olharmos bem para o enredo percebemos que nada disso existiria sem o ténis.


Se do lado masculino não é apenas o ténis, mas sim o romance e o sentimento de conquista de Tashi (já por si um ponto negativo), no lado feminino existe sim essa atração pelo desporto que a move para tudo o que faz. A forma exacerbada como tenta manter-se no topo, refletindo a sua falha na carreira (devido à lesão, claro) no sucesso de Art, não percebendo que já não era apenas amor, mas sim essa sede de conquista que ela não pôde ter.


Momento da lesão da Tashi

Aviso: A partir deste parágrafo vou abordar alguns pontos que são essenciais para todo o filme e por isso mesmo não é aconselhada a leitura de quem ainda não o viu.


Claro que se referimos Tashi, temos de referir todo o sentimento de vilanizar a personagem. Cedo percebemos que nenhum dos três é santo e que cada um está a praticar um jogo diferente: Art quer separar o casal com as conversas com ambos; Patrick ignora os sentimentos de Tashi e mais tarde a relação dos ex-amigos; Mas é com Tashi que ficamos com a maior sensação de vilã.


No começo do filme vemos o seu jogo fora do court, desde a festa em adolescentes, passando para a cena do quarto e terminando num ponto alto, no terceiro ato, onde vemos que tudo é rodeado de ténis. É nesse momento final, onde vemos a cara de realização de Tashi, com uma alegria pelo jogo e competição que está a ser praticado, e não pela relação com o Art, que está a terminar.


Através desta imagem podemos até terminar o filme com uma sensação de revolta por ter conseguido atingir os seus objetivos, mas rapidamente percebemos toda a excelência que foi conseguida nas pouco mais de duas horas de filme, pois tudo nos levou até ali sem que tivéssemos dado conta.


Pontos finais de Challengers


Zendaya em Challengers

Terminei com uma sensação de grandeza por ter acabado de ver algo tão bem feito em diferentes níveis, conseguindo conquistar todo o hype que havia sido criado. São lançados sentimentos de revolta, ansiedade, excitação, entre tantos outros, e até guardaram um espacinho para me deixar incomodado e enjoado com a imagem da lesão.


Challengers poderia muito bem ser um filme tipicamente lançado mais junto das datas de premiação, no entanto, acredito que não seja esquecido e acabe por ser nomeado para algumas das categorias.


Para quem não conseguir ir ver ao cinema, não desespere, pois o filme daqui a uns tempos irá ser lançado na HBO Max, futura Max.


⭐⭐⭐⭐⭐

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