Shogun - Uma invasão japonesa ao sucesso
- João Maravilha
- 7 de mai. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de mai. de 2024

Shogun precisou de muito pouco tempo para captar a atenção do público, criando a cada episódio uma nova sensação de expetativa, devendo-se tudo à excelente história e astúcia de cada personagem.
Um navio inglês dá à costa do território japonês, trazendo consigo homens moribundos, mas também segredos que fazem o lorde Toranaga mudar o funcionamento do poder e das relações no Conselho de Regentes.
Felizmente, cada vez mais temos produções não americanas no auge, mostrando que o talento existe além das grandes produtoras de Hollywood e que se quisermos explorar novas ideias, culturas e até géneros, basta que quebremos a barreira da língua.
Um jogo de poder com um grande destaque

Shogun é uma minissérie dramática onde a política, a guerra, as famílias, a religião, e todo o poder é colocado em conflito, movendo as diferentes personagens e as suas ações como se de um jogo se tratasse. John Blackthorne (Cosmo Javis), navegante inglês e protestante, Toda Mariko (Anna Sawai), tradutora japonesa e católica, e ainda Yoshii Toranaga (Hiroyuki Sanada), regente e lorde japonês, são três das personagens principais e exemplificam cada um dos polos que se destacam.
Poderia escrever que é apenas mais uma série onde o jogo das cadeiras do poder se movimenta ativamente, mas a verdade é que esta produção conseguiu diferenciar-se ao nos levar até um Japão do século XVII que se encontra dividido e com uma crise de poder, que faz com que inteligência e a capacidade de ser astuto se sobreponha à força.
Até mesmo Portugal se encontra presente (mesmo que a língua portuguesa seja retratada com a utilização do inglês) através de diferentes personagens e da importância que a igreja católica tem nesta realidade japonesa.

Claro que podemos olhar para Blackthorne como a personagem principal, ao ser o inglês capturado que se vê no meio de um conflito político estrangeiro e que tem de arranjar meios para fugir. No entanto, é Toranaga quem rouba em quase todos os episódios o protagonismo e o interesse.
São as artimanhas e todo um mistério de ações que levam a que terminemos cada episódio com a sensação de termos sido enganados sem que déssemos conta. Estamos perante uma das grandes personagens dos últimos tempos e que é facilmente comparável, ou até mesmo superior, a outros grandes nomes das mais recentes séries de sucesso e do género.
Shogun precisou de 10 episódios para passar, numa nova versão, o livro homónimo de James Clavell, de 1975, para a televisão, não havendo até ao momento esperanças de uma nova temporada.
Existe até tempo para algum romance, não sendo necessário cair em grandes clichés ou momentos de extremos. Tudo parece estar colocado de forma perfeita para que até as fases mais paradas dos episódios sejam um complemento necessário para que depois toda a narrativa se possa desenrolar com a cadência exata.
Um Japão do século XVII como plano de fundo

Bem, acho que está bastante esclarecida a minha opinião sobre o argumento e as personagens. Por isso mesmo vamos passar aos elogios da cinegrafia e de toda a produção, que aumenta ainda mais a qualidade de toda a obra.
O que não faltam são outras produções cinematográficas que têm como fundo o Japão feudal de outros tempos. No entanto, é fácil cair em exageros, algo que não acontece em Shogun.
Existe uma conjugação praticamente perfeita entre os diferentes planos, conjugando muitas vezes a criação tecnológica com os planos físicos. As várias montanhas japonesas, as casas feudais, os altos templos, entre tantos outros cenários, são representados de forma a transportar-nos para a época sem que olhemos de forma estranha para as diferentes transições de plano.
Shogun conquistou um lugar nos favoritos

Não me considero uma pessoa presa ao idioma na hora de escolher o que ver, contudo, também não posso negar que a língua inglesa continua a ser proeminente nas minhas escolhas. Na minha lista de séries favoritas, poucas são as que não têm o inglês como língua falada, mas agora com Shogun posso acrescentar mais uma.
Não vivo com pena se acabar mesmo por não existir uma segunda temporada, pois defendo que as coisas devem terminar nos momentos certos, e a verdade é que o décimo episódio serve como final para qualquer fã, não sendo necessário acrescentar algo forçado.
Adoro quando termino uma série e percebo que passado uns tempos vou ter de voltar a agarrar nela para rever, tal foi a qualidade a que acabei de assistir.
Compreendo quem não queira ver, ou sinta alguma dificuldade em começar, mas caso algum dia deem essa oportunidade, prometo que não se irão arrepender, pedindo apenas que façam o esforço de máxima concentração, pois todos os momentos merecem o nosso foco total e qualquer desvio poderá levar a que se perda alguma informação.
Shogun é uma série da FX e está atualmente disponível na Disney+.
⭐⭐⭐⭐⭐






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